O varejo, sobretudo o setor de supermercado, faz parte do dia a dia das pessoas. Afinal, não tem como evitar comprar comida. Porém, boa parte do setor teme a transformação digital ou ainda a vê como algo distante e futurista. E quem não se atentar a essas mudanças e se atualizar vai ficar de fora do mercado.

“Os supermercados pensam que estão imunes porque vendem comida e as pessoas sempre vão comprar comida, mas a forma de comprar pode mudar. A forma de locomoção mudou com o Uber, por exemplo”, exemplifica Cezar Taurion, head da KCV, durante o Next Supermarket Generation, realizado pela APAS (Associação Paulista de Supermercados).

O varejo é um dos setores que mais deve crescer nos próximos anos, sobretudo o setor alimentício, segundo dados da Euromotor. “Então pergunto o que te impede de mudar? Você tem medo do quê? Há incerteza, claro. Mas se não arriscar, alguém passa na frente. Tem que pensar fora da caixa porque o risco é ficar parado”, provoca Taurion.

A mudança do consumidor

Heloisa Callegaro, sócia da McKinsey relata que o consumidor está mudando. A compra física é influenciada pelo digital, e é muito pautada na influência social. “Isso é o normal e o varejo precisa se adaptar ao normal”, alerta. “O online e o atacarejo são as frentes que mais crescem. É onde o cliente gasta mais. Não é mais o futuro porque já acontece”. Veja a seguir os principais desafios do varejo para sobreviver ao mercado digital:

Omnichannel

“A separação do físico e do digital não existe mais. Para o cliente, o canal é um só. E a loja física complementa o digital”, afirma Callegaro.

Na rede de supermercado Hema, do Alibaba, por exemplo, há vários setores que transformam a rede em centro de distribuição e restaurante, com o atendimento de robôs que entregam a comida pedida via aplicativo.

“As pessoas escolhem morar perto de uma das lojas, que também serve como centro de distribuição”, explica Callegaro. De acordo com a especialista, no Brasil, um bom exemplo é o Magazine Luiza, cujo e-commerce representa 30% das vendas.

“No consultório de um neurologista, por exemplo, o robô vai analisar o exame e deixar o médico fazer o que só ele sabe fazer. Um contrato pode ser analisado em minutos por um robô, enquanto o advogado terá mais tempo para fazer outra coisa. Os robôs não roubam o nosso, nós é que roubamos o trabalho deles. Então deixem os robôs fazerem o que fazem de melhor”, aconselha Taurion.

Personalização

“A personalização é boa para todo mundo porque o cliente gosta e a empresa economiza, pois gasta menos com marketing. O marketing será direcionado para quem a empresa quer atingir. E pode gerar valor dentro de poucos meses e render por anos”, diz a especialista.

Dados

“Os dados são o novo petróleo. O varejo tem muito dado, mas não faz nada com essa riqueza, que deveria ser mais usada”, afirma. Atualmente, o varejo tem o maior acesso a dados de consumidores, e o compartilhamento de dados pode trazer ganhos, como:

  • Verbas cooperadas com a indústria (ex.: compartilhamento de dados de clientes que participam de ações promocionais)
  • Venda de dados em escalas

Produtividade

A especialista aconselha o varejo a automatizar a operação.

Colaboração

“A colaboração pode ser muito boa quando feita com indústrias. Com os dados do varejo, a indústria consegue atender melhor o cliente. Mas essa parceria não precisa ser só com a indústria”, esclarece. Colaborações bem-sucedidas podem gerar ganhos significativos, como explica Callegaro:

Estoque

  • Melhor gestão de promoções
  • Necessidade reduzida de estoque de segurança

Impacto em vendas

  • Oportunidades para inovações e acesso ao mercado geridas conjuntamente
  • Aumento das vendas de colaborações comerciais

Custo

  • Redução de resíduos com base em análises de fluxo de valor
  • Otimização de ponta a ponta, incluindo empacotamento, transporte e armazenagem

Serviços

  • Melhorias no nível de serviço imediato
  • Capacidade de diferenciar o serviço e focar no que importa.

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