São cumpridos dois mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão em São Paulo e na Bahia, envolvendo suspeita de pagamento de propina a dois ex-ministros identificados na planilha da empreiteira como "Italiano" e "Pós-Itália". De acordo com delações feitas por executivos da Odebrecht, esses nomes se referem a Antônio Palocci e Guido Mantega. Os dois, entretanto, não são alvos diretos dessa ação. Hoje, são alvos da operação Maurício Ferro, diretor da empreiteira, e o advogado Nilton Serson.

Curitiba/PR - A Polícia Federal deflagrou, na manhã de hoje (23/10), em cooperação com o Ministério Público Federal,  a 67ª. fase da Operação Lava Jato, denominada Tango & Cash.

Policiais Federais cumprem 23 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Os mandados foram expedidos pela 13ª. Vara Federal de Curitiba-PR e objetivam a apuração de crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais.

Estão sendo empregados 100 Policiais Federais na execução da operação.

Uma das empresas alvo de mandado de busca e apreensão integrava, desde o início, o cartel de nove empreiteiras, o chamado “CLUBE”, que tinha por objetivo vencer e adjudicar as licitações para todas as grandes obras da PETROBRÁS. A partir de 2006, o “clube” aceitou o ingresso de outras companhias e chegou a ser composto por 16 grupos empresariais.

A fim de dar aparência de licitude ao pagamento de propinas, o grupo empresarial investigado repassava valores via empresas offshore a ex-diretores e ex-gerentes da PETROBRÁS, mediante a celebração de contratos fraudulentos de assessoria/consultoria. Um dos ex-diretores da estatal recebeu, entre 2008 e 2013, 9,4 milhões de dólares, percebendo parcelas de propina mesmo depois de ter deixado o quadro da empresa em 2012.

Há suspeita de que propinas pagas em obras pela empresa envolvida nessa fase seria de 2% do valor de cada contrato, o que pode ter gerado o pagamento de R$ 60 milhões em propina.

O nome da operação remete aos valores de pagamento das propinas e ao fato de que a empresa envolvida na investigação pertence a um grupo ítalo-argentino.

Foi determinada ordem judicial de bloqueio de ativos financeiros dos investigados no valor aproximado de R$ 1,7 bilhão.

Será concedida coletiva de imprensa às 10h no auditório da Superintendência Regional da PF em Curitiba-PR.


Comunicação Social da Polícia Federal em Curitiba-PR
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