Em meio às discussões de desmembramento de grandes empresas de tecnologia, protagonizada por nomes de peso nos EUA, como a pré-candidata democrata à presidência  Elizabeth Warren, o Facebook apresentou na segunda-feira (5) uma nova logo, que diferencia companhia de aplicativo e reforça a marca nos outros produtos da empresa, como Instagram e WhatsApp.

Segundo Antonio Lucio, diretor de marketing do Facebook, a mudança tem como objetivo tornar claro às pessoas e empresas quais são os produtos e serviços sob tutela da companhia que, desde junho, passou a incluir “from Facebook” em todos os seus aplicativos.

“As pessoas devem saber quais empresas fazem os produtos que elas usam e essa mudança é uma maneira de comunicar melhor nossa estrutura de propriedades a todos que usam nossos serviços para se conectar, compartilhar, criar comunidades e crescer suas audiências”, diz Lucio.

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A mudança na marca pode ser lida como uma provocação em um momento de críticas pesadas ao Facebook e outras gigantes da tecnologia, que estão sendo acusadas de prejudicar a competitividade e impedir o crescimento da indústria com as fusões entre as empresas.

Uma das principais críticas desse modelo, a senadora e pré-candidata Elizabeth Warren já afirmou que pretende criar regulamentações mais rígidas que vão impedir essas empresas de ofertar serviços próprios em suas plataformas e desfazer fusões consideradas anticompetitivas. Com isso, o Facebook não poderia mais ser dono do WhatsApp, por exemplo.

“Precisamos impedir que essa geração de grandes empresas de tecnologia utilize do seu poder político para moldar as regras a seu favor e jogue em torno de seu poder econômico para extinguir ou comprar todos os concorrentes em potencial”, afirma Warren.

Para Alberto Luiz Albertin, coordenador do Centro de T.I do Programa em Negócios na Era Digital da FGV EAESP, o cuidado em manter a concorrência com o mercado é algo natural, mas é preciso ter cuidado na aplicação dessas normas para não gerar nenhuma instabilidade.

“A concentração plena nunca é boa para o mercado, porém desfazer negócios já consolidados pode gerar insegurança dentro do setor.  É mais fácil regular o que já foi feito e tornar as regras bastante claras para beneficiar a competição e o aperfeiçoamento do segmento”, opina Albertin.

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Reação

Em um áudio divulgado pelo site The Verge no início de outubro, o CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, demonstrou preocupação com os projetos futuros de desmembramento da empresa, chegando a afirmar que entraria em um processo contra o governo caso o projeto avançasse.