SÃO PAULO – Para atrair cada vez mais consumidores para suas lojas e sites, varejistas de diferentes segmentos correm para fechar parcerias. A estratégia, que vinha sendo anunciada por diferentes empresas nos últimos meses, chegou a um novo patamar nesta semana, com o anúncio de uma parceria em um modelo inédito entre B2W, dona do site Americanas.com, e a varejista esportiva Centauro.

“O modelo que montamos é algo que nenhuma outra varejista fez no Brasil. Nós atraímos o tráfego da Americanas, mas toda a experiência de compra, o produto e a logística é da Centauro. É um modelo que funciona de uma maneira diferente de um marketplace convencional”, afirma Sebastião Bomfim, fundador e presidente do conselho da Centauro, ao InfoMoney.

Nos últimos meses, grandes varejistas já vinham anunciando algumas parcerias que chamaram a atenção do mercado. A maioria, no entanto, acontece em lojas físicas e, segundo especialistas, tem como foco principal ocupar os espaços vagos em grandes lojas.

Em maio, por exemplo, a Magazine Luiza fechou uma parceria para operar a parte de produtos eletrônicos e eletrodomésticos dentro de alguns supermercados do Carrefour. No início de outubro Extra e Ri Happy também fecharam parceria para a venda de brinquedos em hipermercados.

“É um movimento que tem acontecido aqui no Brasil e também no exterior. É uma relação de longo prazo em que uma varejista especialista em um segmento, como a Centauro, oferece toda a sua expertise em uma varejista mais geral”, afirma Ana Paula Tozzi, sócia fundadora da AGR Consultores.

A parceria de Centauro e B2W animou os investidores nas primeiras horas de pregão logo após o anúncio. As ações da Centauro e B2W chegaram a subir 5% durante na manhã desta terça-feira. Na parte da tarde, no entanto, os papéis perderam força. Enquanto as ações da Centauro fecharam sem variação, os papéis da B2W caíram 1,8%.

Mas nem todos enxergam algo tão inédito no modelo dessa parceria. “Lá trás a Netshoes tinha uma parceria similar com a Americanas. Foi assim que conseguiram crescer o seu e-commerce”, afirma Paulo Humberg, especialista em e-commerce e sócio da A5 Investimentos.

O que chama a atenção no caso de Centauro e B2W é o tamanho da parceria, que acontece entre duas gigantes do varejo. A partir de agora todos os clientes que pesquisarem produtos esportivos no Americanas.com serão redirecionados para essa nova plataforma, na qual a Centauro é a única vendedora. A Centauro vai garantir a experiência de compra no site e toda a logística, incluindo a possibilidade de compra pelo site e retirada do produto em uma de suas lojas.

A Centauro ganha exposição e atrai o tráfego da B2W — uma base de mais de 15 milhões de clientes ativos—, enquanto a B2W obtém uma maior variedade de produtos e acesso a marcas como Nike e Adidas, que não permitem que seus produtos sejam comercializados em sites generalistas como a Americanas.com (alguns sites vendem esses produtos por meio de terceiros, e não diretamente com as fabricantes).

A competição no varejo esportivo

O anúncio da parceria acontece depois de o Magazine Luiza ter vencido a Centauro na disputada pela aquisição da Netshoes, em junho deste ano.

“Apesar do ganho que a Centauro terá com esse acordo, obviamente o ganho entre Magazine Luiza e Netshoes é muito maior. Netshoes e Magalu são agora uma única empresa, com os mesmos acionistas e uma só equipe. Se eles fizerem uma boa integração e execução dos dois negócios, devem ter uma vantagem grande em relação à B2W e Centauro”, afirma Humberg.

“As conversas com a B2W começaram depois da venda da Netshoes. Fomos procurados e desenvolvemos um modelo bom pra ambos. Mas é uma parceria que também teríamos feito mesmo se tivéssemos comprado a Netshoes”, diz Bomfim, presidente do conselho da Centauro.

Bomfim afirma que ainda é cedo pra estimar os ganhos que a estratégia trará. Atualmente cerca de 20% das vendas da Centauro acontecem via e-commerce. “Por ser algo totalmente novo, terá um período de aprendizagem”, diz. O varejo deve acompanhar o desenvolvimento dessa parceria de perto.