Presidente do banco, Octavio de Lazari Junior, diz que decisão é parte do esforço para enfrentar maiores custos acima do esperado; PDV e renegociação de contratos com fornecedores são outras iniciativas que vão ajudar a reduzir gastos

O Bradesco (BBDC4), segundo banco privado do Brasil, fechará 150 agências em 2019 e outras 300 em 2020, como parte de um esforço para enfrentar maiores despesas operacionais que afetaram os ganhos da instituição financeira, disse o presidente do banco, Octavio de Lazari Junior, nesta quinta-feira (31), em teleconferência com jornalistas, para explicar os resultados do terceiro trimestre de 2019.

Em setembro, o banco possuía 4.567 agências, contanto as 50 que foram fechadas nos primeiros nove meses do ano.

“Não há uma região específica para o fechamento das agências. Fazemos um trabalho que leva em conta vários aspectos, como volume de pessoas. É algo pulverizado”, explicou o presidente do Bradesco.

Segundo Lazari Junior, o banco registra custos acima do esperado, ficando aquém de suas próprias metas. Em janeiro, o banco informou que seus custos aumentariam até 4% em 2019, mas subiram 7,5% nos primeiros nove meses do ano.

Apenas no terceiro trimestre, o banco teve uma alta de 10,1% das despesas administrativas e de pessoal, que atingiram R$ 11,120 bilhões. O banco atribuiu o avanço aos maiores gastos com proventos e encargos sociais e ao aumento do quadro de funcionários em áreas como as novas agências digitais e o banco digital Next. O aumento dos gastos por ser atribuído à maior concorrência das fintechs (instituições financeiras 100% digitais).

A alta dos custos pesou sobre as ações do Bradesco na quinta-feira, que caíam 3,98% às 13h10, apesar do banco ter registrado lucro líquido trimestral em linha com a projeção dos analistas, a R$ 6,5 bilhões.

Lazari disse que um recente Programa de Demissão Voluntária (PDV) também ajudará a cortar custos. Ele disse que 3 mil trabalhadores já aderiram ao programa, cerca de 3% do seu quadro de funcionários. O Bradesco também vem renegociando melhores condições para contratos de fornecedores e fechado acordos em disputas trabalhistas.

Apesar da pressão de custos, o banco espera manter a rentabilidade e vê com boas perspectivas da economia para o ano que vem, com expansão do crédito e receitas geradas pela busca de produtos financeiros, como planos de previdência privada.