e-commerce continua em franco crescimento no Brasil. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), as lojas virtuais devem atingir um volume de vendas de R$ 79,9 bilhões em 2019 — o que representa um aumento de 16% em relação ao ano passado. Com isso, é necessário que os varejistas estejam cada vez mais atentos às questões relacionadas à segurança das transações online.

Entre os profissionais do e-commerce, no entanto, ainda é comum o pensamento: basta contratar um antifraude para resolver os problemas — e ter zero fraude. Só que isso não é o ideal. E um dos motivos está no que chamamos de “teoria do tripé” da análise de risco no e-commerce. Segundo ela, a gestão da área de risco só estará bem sustentada se três métricas estiverem bem equilibradas: chargebacks, falsos positivos e vendas legítimas.

Na maioria das vezes, os chargebacks ocorrem quando a loja precisa estornar uma compra feita pela internet de maneira fraudulenta. Desta forma, como acabam ficando com o prejuízo de uma transação feita com um cartão de crédito clonado, por exemplo, é natural que os varejistas busquem manter este índice o mais baixo possível.

Por outro lado, ao adotar uma postura muito conservadora de análise com o intuito de zerar os chargebacks, o sistema antifraude toma ações severas que podem dificultar o processo de compra não só do criminoso, mas também dos clientes, o que acarreta uma queda do faturamento do e-commerce.

O falso positivo, segunda “perna” do tripé, está justamente relacionado a isso. Ele acontece quando um pedido é cancelado pelo antifraude por ser considerado suspeito, mas na verdade estava sendo feito por um cliente legítimo. Neste cenário, o varejista também está deixando de ganhar dinheiro.

A quantidade de chargebacks e de falsos positivos é fundamental para determinar a posição da terceira métrica do tripé: as vendas legítimas. Afinal, uma loja virtual pode até não sofrer nenhuma fraude, mas neste caso ela paga um preço muito alto por isso — a taxa de aprovação e o total de vendas caem consideravelmente, em decorrência dos falsos positivos. Ao colocar tudo isso na balança, portanto, nota-se que buscar um índice de chargeback igual a zero implica em negar muitas vendas boas, o que descompensa o tripé.

Vale ressaltar que a terceira edição do Raio-X da fraude, divulgada pela Konduto no último mês de fevereiro, indicou que a média de tentativa de fraudes no e-commerce brasileiro é de 2,20% — ou seja, 1 a cada 44 pedidos. Logo, uma loja virtual com uma taxa de cancelamentos de vendas muito superior a isso está deixando de ganhar muito dinheiro, ainda que tenha não tenha sofrido nenhuma fraude.

A fórmula para montar um tripé equilibrado na análise de risco varia conforme o e-commerce. Depende de fatores como setor, preços dos produtos, riscos, margens, entre outros. Mas um antifraude será de fato eficiente se conseguir equilibrar altas taxas de aprovação diante do menor risco possível, sem simplesmente barrar toda compra considerada suspeita.